Com 264 filmes, Mostra ocupa 15 salas da cidade

21/out 08:04
Por Mariane Morisawa, especial para o Estadão / Estadão

A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está diferente em sua 45ª edição, que vai ser meio virtual, meio presencial. Até a abertura, que aconteceu na noite desta quarta, 20, teve um novo formato: em vez de sessão de um único filme em um só local, para convidados, foram dez programações diferentes, o que serviu como dica para o público.

Como, por exemplo, o terror Noite Passada em Soho, de Edgar Wright, estrelado por Anya Taylor-Joy e exibido fora de competição no Festival de Veneza, no mês passado. Também Bergman Island, de Mia Hansen-Løve, que participou da competição em Cannes, e Compartment nº 6, de Juho Kuosmanen, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes. Outro destaque foi o programa de curtas, com A Voz Humana, de Pedro Almodóvar, A Noite, de Tsai Ming-liang, e O Ato, de Bárbara Paz.

Cineastas conhecidos estão presentes, como Wes Anderson, representado por A Crônica Francesa, que disputou a Palma de Ouro, e o iraniano Asghar Farhadi, com Um Herói, o outro ganhador do Grande Prêmio do Júri em Cannes. A lista se completa com A Caixa, de Lorenzo Vigas, que participou da competição em Veneza, Roda da Fortuna, de Ryûsuke Hamaguchi, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Berlim, Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental, de Radu Jude, Urso de Ouro em Berlim, e Lua Azul, de Alina Grigore, Concha de Ouro em San Sebastián.

Os filmes dão indícios de que a Mostra não perdeu sua força, trazendo produções que foram destaque nos principais festivais internacionais.

Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental fala de um tema atual – uma professora faz uma gravação íntima que vai parar na internet, gerando problemas com a escola e os pais de alunos. Claramente, ela é um alvo mais fácil por ser mulher. O diretor romeno Radu Jude decidiu não esconder ter filmado durante a pandemia, e todos usam máscara. Lua Azul também vem da Romênia e trata de mulheres sufocadas em uma sociedade machista. No caso, Irina (Ioana Chitu) quer sair da pequena vila onde a família tem um hotel e estudar em Bucareste, mas enfrenta a pressão dos primos, tios e do pai, que querem mandar nela.

Roda da Fortuna, de Ryûsuke Hamaguchi, traz três histórias protagonizadas por mulheres enfrentando o acaso, o destino e as escolhas. Em seu novo drama, Um Herói, Asghar Farhadi também trata de escolhas: Rahim (Amir Jadidi) sai temporariamente da prisão, onde está por causa de uma dívida. Ele tem a chance de usar o dinheiro encontrado em uma bolsa para pagar parcialmente seu débito e deixar a cadeia, mas acaba decidindo devolvê-la. Rahim vira herói, só que tudo se complica.

A 45ª Mostra também exibe premiados em Cannes, como Titane, de Julia Ducournau, vencedor da Palma de Ouro, Annette, de Leos Carax, melhor direção, e Memória, de Apichatpong Weerasethakul, prêmio do júri. Titane e Memória são os escolhidos pela França e pela Colômbia como seus representantes na briga por uma vaga na disputa do Oscar de filme internacional. O selecionado do Brasil, Deserto Particular, de Aly Muritiba, também pode ser visto durante o evento, que termina no dia 3.

A Mostra tem 156 dos 264 títulos disponíveis nas plataformas Mostra Play (com ingressos pagos), Sesc Digital e Itaú Cultural Play, ambas gratuitas. Mas ela também reocupa os cinemas da cidade, com sessões presenciais em 15 salas.

Destaques

Titane

A diretora francesa Julia Ducournau ganhou a Palma de Ouro com este misto de terror e ficção científica sobre a reunião de um pai e seu filho após 10 anos.

A Crônica Francesa

Wes Anderson reúne seus atores favoritos para interpretar um grupo de jornalistas na França.

A Viagem de Pedro

Em 1831, Pedro (Cauã Reymond), ex-imperador do Brasil, retorna à Europa para enfrentar o irmão que usurpou seu reino. Direção de Laís Bodanzky.

Ahed’s Knee

Vencedor do Prêmio do Júri em Cannes, fala de um cineasta israelense lutando contra o fim da liberdade e a morte de uma mãe.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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