Autônomos desistem de trabalhar com transporte devido ao aumento desenfreado do preço da gasolina e do diesel

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  • 23/jun 17:51
    Por Helen Salgado

    Tanto quem possui carro particular quanto os motoristas que trabalham com transporte sofrem com os reajustes frequentes nos preços dos combustíveis. Na sexta-feira (17), a Petrobras anunciou reajuste de 5,2% no preço da gasolina e de 14,2% no preço do diesel. O preço de revenda da gasolina para as distribuidoras passou de R$ 3,86 para R$ 4,06 o litro; e o diesel passou de R$ 4,91 para R$ 5,61 o litro. Mas para o consumidor final, o valor da gasolina chega a quase R$ 9 o litro.

    Para Marcos Moraes, motorista de aplicativo, o aumento no preço da gasolina tem dificultado seu trabalho. “As plataformas não tem repassado o valor do combustível pra gente. Os valores das corridas estão cada vez menores e os nossos custos maiores. Quando a gente faz alguma corrida particular pra alguém, a gente ainda consegue repassar esse valor”, diz o motorista.

    Para conseguir cumprir a meta diária, Marcos precisou se reajustar. Ele afirma que uma das alternativas é cancelar corridas que não valem a pena. Ele conta que, na parte da manhã, as corridas custam, no máximo, R$ 10 e que tem sido difícil trabalhar assim já que além da manutenção do carro, os motoristas estão enfrentando muito trânsito na cidade, o que consome mais combustível.

    “Antes a gente trabalha 8 a 10 horas por dia e a gente conseguia bater a nossa meta, fazer o nosso dia. Às vezes com o combustível que a gente levava o dia todo para poder trabalhar, hoje a gente trabalha até metade do dia só porque as corridas estão mais baratas, estamos tendo que andar mais pra poder cumprir a nossa meta. Tem sido bem difícil!”, desabafa.

    O preço médio da gasolina no país é de R$ 7,232. Segundo o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realizado entre os dias 12 e 18 de junho, os cariocas estão pagando mais caro pela gasolina. O valor do combustível custa R$ 8,990 no Estado do Rio de Janeiro. Os valores levantados na pesquisa não reflete no último ajuste anunciado pela Petrobras nas refinarias na última sexta-feira (17).

    Em Petrópolis, alguns postos localizados no Quitandinha, Itamarati e no Quissamã repassam a gasolina comum no valor de R$ 8,28. Já em Itaipava, Bingen e no Centro o mesmo combustível é encontrado por R$ 8,38 a R$ 8,39. Já o diesel o custo varia de R$ 7,44 a R$ 7,59 nos postos da cidade.

    Posto de combustível em Itaipava – Foto: Helen Salgado

    Anderson Erico é proprietário de van e faz viagens particulares há 25 anos, ele diz que durante todo esse tempo de trabalho nunca viveu um momento tão difícil. “Eu lembro que quando eu comecei com van, o diesel custava R$0,49. Lembro que com R$30 a R$ 40 eu enchia o tanque e ainda sobrava dinheiro”, conta.

    Posto de combustível no Bingen – Foto: Anderson Erico
    Posto de combustível no Itamarati – Foto: João Vitor Brum

    O motorista afirma que muitos colegas já desistiram de trabalhar com esse tipo de transporte. Ele mesmo afirma que agora, com os reajustes, ele faz contas de todos os gastos antes de passar o orçamento pro cliente. “Eu penso dez vezes antes de mandar o orçamento, fico pensando se o cliente vai fechar ou não”, desabafa.

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