Atrasos e erros no envio de informações para o ConecteSUS deixam petropolitanos fora do passaporte da vacina

17/set 19:53
Por Luana Motta

Com atrasos na inserção de informações e até dados incorretos, o ConecteSUS está barrando quem precisa  do chamado “passaporte da vacina” para viajar ou até trabalhar em locais que precisam do comprovante de vacinação. O ConecteSUS, do Ministério da Saúde, foi criado neste ano para unificar os dados de toda população no Sistema Único de Saúde. 

As informações são inseridas pelos municípios e pelo estado, só que, além dos dados serem inseridos com meses de atraso, em alguns casos são inseridas informações incorretas. A Prefeitura disse à Tribuna que reconhece a instabilidade do sistema, e que trabalha em mutirão para inserir os dados.

Exemplos de problemas no ConecteSUS não faltam. O petropolitano Evanir Júnior, que tomou, em maio e agosto, as duas doses da vacina AstraZeneca, no ponto de vacinação no Itamarati. Mas no sistema consta uma dose da Pfizer. Preocupado, ele abriu um chamado pelo próprio aplicativo e disse que espera o contato para a correção nos dados. 

Os relatos não param por aí: um servidor público, que preferiu não se identificar, disse que tomou a primeira dose da AstraZeneca em maio e a segunda em agosto e até agora nenhuma das duas doses constam no sistema. “Vou ao Rio no fim de semana e terei que levar a carteira de vacinas… Só me falta perder. Mês que vem estou de férias, vou viajar. Seria útil ter as vacinas no aplicativo”, disse. 

Na cidade do Rio de Janeiro, se tornou obrigatória a apresentação do comprovante de vacinação para entrar em espaços como cinemas, academias, locais de visitação turística e estádios de futebol. Sem contar as viagens internacionais, alguns países que abriram as fronteiras para os brasileiros pedem a apresentação de um comprovante de vacinação, como Peru, Chile, Canadá, Portugal e Alemanha. 

O Ministério da Saúde informou à Tribuna que os postos de vacinação de estados e municípios são os responsáveis por fazer o registro de dados da vacinação por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que é a base federal utilizada para alimentar as informações no ConecteSUS. De acordo com o Ministério, em até 72 horas após o envio dos registros para a rede,  as informações ficam disponibilizadas na plataforma. 

Em resposta à Tribuna, a Prefeitura informou que trabalha em mutirão para garantir que, após a aplicação da vacina, os dados sejam inseridos no sistema do Ministério da Saúde (SI-PNI) em no máximo 15 dias. E disse que a Divisão de Imunização já verificou instabilidade no sistema SI-PNI – situação já relatada ao Estado e verificada também em outros municípios – que gerou problemas tanto na inserção dos dados quanto na verificação dos mesmos.

O que fazer se seus dados estiverem incorretos no ConecteSUS?

O Ministério disse que o cidadão que não tiver o seu registro atualizado no aplicativo em até 10 dias da sua vacinação, deve procurar o local de vacinação ou a secretaria estadual ou municipal de saúde para solicitar o registro e envio de seus dados à rede.

A Secretaria de Saúde orienta que pessoas já vacinadas que verificarem, após o prazo de 15 dias, que os dados não constam no Conecte SUS entrem em contato direto com a Divisão de Imunização, pelo e-mail conect.petropolis@gmail.com. As informações também podem ser passadas por mensagem pelo whatsApp (24) 99220-2104. É necessário informar por estes canais o nome, CPF e enviar foto do cartão de vacina onde constam nome e a aplicação das doses, para que os dados sejam conferidos junto à base de dados do município e para checagem junto ao sistema do ministério.

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