Anjos em forma de gente

  • 30/05/2019 12:00

    Alice Gac de quem fui aluno, na infância me ensinou. Exemplos que serviram de supedâneo neste caminhar. Um dia ela me contou uma história, “A lição da borboleta” de um autor desconhecido.  Fez-me refletir sobre o esforço e a perseverança. “Um homem viu um casulo pregado no galho da árvore. Era reluzente e furta-cor, lindo.” Sim, a vida no meio rural se carente em progresso é rica em elementos naturais. Meus dias foram renovados em experiência e beleza pela ótica infantil. Os envoltórios presos aos galhos das árvores me chamavam atenção. Havia curiosidade em saber o que estava escondido naquela bolsa. Entendi mais tarde que era uma crisálida. Prosseguiu Dona Alice: “Ele viu a abertura e o esforço da borboleta” para fazer com que seu corpo passasse por tão pequena cavidade. E preocupado ante a paralisação das contrações que a permitissem vazarem e vir à luz ele “decidiu ajudar.” E “pegou uma tesoura e cortou o restante da capa protetora.” E ela saiu, “mas seu corpo estava murcho.” As asas estavam amassadas e ela não caminhava, mas, rastejava…  Mesmo assim ele ficou a observar se ela conseguiria andar… Não conseguiu. E assim a borboleta passou o resto da vida, esquálida, inerte e infeliz… Mal sabia ele que era necessário que superasse os obstáculos e as dificuldades para enfim, ganhar a liberdade e poder voar pelos campos, beijar as flores e cirandar pelo azul do céu.  A trajetória da borboleta me fez lembrar outra fábula dessa vez por Dona Geny, sua irmã, minha primeira professora, claro, com o fundo ético-moral a nos revelar que nenhum esforço humano é estéril ou inútil.  Falava-nos de um grupo constituído por dois homens e uma senhora. “Seguiam pelo caminho carregando suas cruzes.” Caminharam cerca de três quilômetros e já fatigados se sentaram para uma refeição. De seus faustos retiraram um naco de pão, azeite e um cantil com água. Refeitos prosseguiram uma hora de caminhada, estrada pedregosa e íngreme. Um deles pensou, “tenho um serrote em minha mochila. Deceparei um pedaço desse madeiro e aliviarei o meu peso.” Assim procedeu. Enquanto o casal levava os seus lenhos com dificuldade esvaindo-se em suor e é claro, calos e ferimentos nos ombros o senhor que cortara um pedaço de sua cruz se sentindo aliviado por eles passou como um relâmpago… Finalmente chegaram ao ponto mais alto da montanha. Era uma travessia entre uma colina e outra. Ela possuía a medida exata capaz de servir de ponte entre as duas extremidades. Ele a lançou e quase caiu no despenhadeiro porque ela meio metro menor que a medida necessária… Foi aí que ele entendeu que havia se precipitado ao eliminar o sofrimento e o cansaço. Nesse instante chegou o casal que havia ficado para trás e procedeu da mesma forma. Lançaram as suas e elas possuíam a medida exata necessária à transposição de um lado ao outro. Em síntese. Devemos cumprir nosso apostolado. Tia Sebastiana, além de professora, 96 anos é um pouco mãe. Dizia-me: “Há momentos de lutas, dores, experiência, sofrimento, mas, também de plena felicidade. Deus nos criou de forma que vençamos as etapas e finalmente ganhemos a vida. Vivemos a superar estágios cientes de que as aparentes dificuldades nos fazem fortes.” A inteligência, a força de vontade no exercício do labor diário, a coragem e o amor a nós dedicado  são provas de que o Criador ainda que parecesse não haver dado a nós o que pedimos com certeza em todos os momentos nos dá o necessário a uma vida condigna.

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