• Ações antrópicas

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  • 26/11/2023 08:00
    Por Ataualpa A. P. Filho

    Na semana passada, o assunto que mais se evidenciou nos noticiários e nas redes sociais estava relacionado à onda de calor que castigou diversas regiões do país. Sentimos literalmente na pele as consequências das ações do homem no meio em que vive, ou seja, vimos os efeitos das ações antrópicas. Não há dúvida que o homem age nocivamente para o desequilíbrio do ecossistema. E, por causa dessa nocividade, a fauna, a flora, a economia e todos nós sofremos com os desastres ambientais provocados por ações humanas.

    Este mês de novembro já é considerado como um dos piores para o bioma da região do pantanal. Já foram registrados mais de 261 casos de incêndio. Isso prejudica até o turismo, que é uma grande fonte de renda. A seca na Amazônia é também um reflexo da situação crítica vivemos. Vejo isso como um caso emergencial. A inércia de gestores públicos ocorre, principalmente, pela ausência de uma mobilização social mais intensa.

    Esse aquecimento insuportável não afeta somente a nossa pele, mas também o nosso bolso. A inflação tende a aumentar pelos prejuízos na agropecuária. O aumento do consumo de energia é outro fator preocupante. Crianças e idosos são os mais afetados pela desidratação. Diante das vidas ameaçadas, encaro com muita seriedade os problemas climáticos. Por isso, acho que devem ser tratados com urgência.

    E, para que possamos evitar tais problemas futuramente, acredito nos resultados positivos da implantação de uma Ecopedagogia, ou seja, uma educação para a preservação do meio ambiente.

    A Carta da Ecopedagogia elaborada pela Unesco destaca a formação de uma consciência universal voltada para a preservação da vida. Mas isso, inevitavelmente perpassa pela sensibilização da sociedade para que possa conceber a Natureza como um bem coletivo que deve ser preservado em benefício dos viventes deste planeta. Transcrevo aqui os itens quatro e cinco da citada carta:

    “4. A Ecopedagogia, fundada na consciência de que pertencemos a uma única comunidade da vida, desenvolve a solidariedade e a cidadania planetárias. A cidadania planetária supõe o reconhecimento e a prática da planetaridade, isto é, tratar o planeta como um ser vivo e inteligente. A planetaridade deve levar-nos a sentir e viver nossa cotidianidade em conexão com o universo e em relação harmônica consigo, com os outros seres do planeta e com a natureza, considerando seus elementos e dinâmica. Trata-se de uma opção de vida por uma relação saudável e equilibrada com o contexto, consigo mesmo, com os outros, com o ambiente mais próximo e com os demais ambientes.

    5. A partir da problemática ambiental vivida cotidianamente pelas pessoas nos grupos e espaços de convivência e na busca humana da felicidade, processa-se a consciência ecológica e opera-se a mudança de mentalidade. A vida cotidiana é o lugar do sentido da pedagogia, pois a condição humana passa inexoravelmente por ela. A ecopedagogia implica uma mudança radical de mentalidade em relação à qualidade de vida e ao meio ambiente, que está diretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com nós mesmos, com os outros e com a natureza.”

    Um dos critérios para o êxito de um processo pedagógico está na “ação-reflexão-ação”. Portanto, as nossas atitudes precisam ser avaliadas constantemente. E, por essa razão, faz-se necessária a seguinte pergunta: “o que faço em defesa da natureza?”…

    É do conhecimento de todos que a selvageria do capitalismo tem como causa principal a obsessão pelo lucro. A exploração do meio ambiente e do próprio homem são justificadas por fatores econômicos. As consequências dessa obsessão estão presentes na poluição do ar, rios e mares, no desmatamento e pela corrupção dos que se vendem.

    Todos sabem que árvore não nasce em chapa de fast-food para atender à velocidade do desejo dos clientes. A natureza nos obriga a pensar sobre a importância do tempo na sedimentação da vida. Quando se corta uma árvore centenária, outra não é reposta simultaneamente, por isso que o desmatamento vai além das interferências climáticas, pois é também responsável pelo risco de extinção de algumas espécies vegetais. Para citar um exemplo, menciono aqui o Pau-brasil que, desde o início da colonização do país, vem sendo explorado, por isso está na lista das árvores que correm o risco de extinção. Encontram-se também nessa listagem: Castanheira-do-Brasil, Braúna, Cedro-rosa, Araucária, Mogno, Jequitibá-rosa, Pau-amarelo, Ipê-peroba, Bicuíba, Imbuia…

    E aqui reafirmo: a consciência ambiental é fruto da compreensão de mundo em função da vida e não do vil metal.

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