Abandono: Inepac notifica Correios desde 2018 sobre estado de precariedade da agência central

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  • 30/11/2021 19:15
    Por Luana Motta

    O prédio histórico onde funciona a agência central dos Correios, na Rua do Imperador, é um espaço de serviço, mas para Petrópolis é especialmente um ponto turístico, que ajuda a contar a história da cidade e do país. O imóvel que é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) está há anos deteriorando pela ação do tempo e a falta de manutenção. Segundo o Inepac, desde 2018, vem notificando os Correios sobre a necessidade de intervenções, mas não foi atendido. 

    O imóvel foi construído em 1922, é uma das primeiras agências dos Correios no país, em uma fase em que a empresa investia na imagem de tradição e modernidade. Mas, hoje, o prédio mostra outro cenário: um retrocesso em relação ao cuidado com o patrimônio público. Por seu valor histórico e cultural, o prédio foi tombado em 1998, pelo Inepac. 

    Em junho deste ano, os Correios informaram à Tribuna que o prédio seria inserido no rol de bens da empresa que seriam alienados. A agência Petrópolis seria transferida para outro endereço, divulgado junto ao edital de alienação. Na última sexta-feira (26), a empresa deu uma nova versão: disse que o imóvel foi incluído nos estudos de otimização da carteira imobiliária dos Correios, e que não há edital a ser publicado. 

    O estilo arquitetônico neoclássico do prédio encanta quem passa pela Rua do Imperador. Internamente, o imóvel possui detalhes que contam a história do próprio Correios, em um vitral em forma cúpula no salão central. De acordo com as informações da biblioteca do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o projeto é assinado por Cristiano Stockeler das Neves. Além do vitral, o prédio possui um busto de Dom Pedro II e a representação em bronze do presidente Epitácio Pessoa. Toda essa área está fechada há quase quatro anos, após diversos problemas, devido a falta de manutenção. Atualmente, o atendimento ao público é feito no saguão de entrada. 

    O Inepac informou à Tribuna que a responsabilidade pelos reparos é do proprietário, e que enviou ofícios à empresa “requisitando providências emergenciais necessárias  à regularização da situação de precariedade em que o bem tombado se encontra, tais como: instalação de tela de proteção na fachada, envio de projeto de restauração atualizado para aprovação e de relatório dos serviços executados no imóvel entre 2018 e 2020. No entanto, o Inepac não foi atendido até o momento”, disse o órgão, por meio de nota.

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