A parte chata

  • 05/05/2016 12:00

    Na nossa vida temos que fazer e decidir coisas chatas. Uma delas é termos que administrá-la para vivermos bem, nos manter e a nossa família. Há alternativas ao nosso alcance para que a vida seja melhor, sem que se tenha que fazer coisas chatas. Um exemplo é a limpeza da casa. E decidimos delegar à faxineira. E tira de seus ombros a tarefa chata de limpeza. Com isso há tempo para se preocupar com coisas que são mais importantes. Mas, sem a limpeza, essas coisas estariam prejudicadas. Chegar em casa e aquela bagunça completa? Roupa por lavar, pia suja, banheiro sujo. A parte chata a faxineira vai fazer, certo?

    Então, por que ainda escutamos: “Você viu? Aquela loja fechou. Dizem que foi má administração. E a ideia era tão boa!” Em boa parte das vezes, foi má administração mesmo. É comum torcer o nariz para a Administração e Planejamento. Essa é a parte chata. Pensa-se, erroneamente, que é a parte que deve ser delegada a alguém menos talentoso, que não conte com a visão privilegiada e vencedora do empresário que “bolou” o negócio. Parece que o mais importante é ter uma boa ideia. E a parte chata? “Esta é a parte mais fácil. Eu vejo depois!”. Se administrar um negócio se faz aprendendo com os erros, este certamente é o primeiro deles.

    Faça como na sua casa. Delegue essa atribuição para alguém que tenha essa experiência. Deixe-a cuidar da parte chata de administração e planejamento. Com essa pessoa sua empresa estará mais segura e ágil para tomar decisões rápidas. Imagine-se sem faxineira. Chegar em casa, querer jantar e depois ver um filme na TV. Sua pia cheia de pratos sujos. Você perderá um tempo para lavar os pratos. Isto equivale a ter que tomar uma decisão de diminuição de custo de sua empresa e não ter as informações necessárias para analisar e tomar a decisão correta. Esta “faxineira” não foi contratada na sua empresa.

    É possível deixar de fazer as coisas chatas. Mas delegue-as para alguém de confiança. Faça como Napoleão Bonaparte que classificava seus soldados em quatro tipos: inteligentes com e sem iniciativa, ignorantes sem e com iniciativa. Os inteligentes com iniciativa eram os comandantes gerais, estrategistas. Os inteligentes sem iniciativa eram os oficiais que recebiam ordens e as cumpriam. Os ignorantes sem iniciativa eram colocados na frente da batalha. Já os ignorantes com iniciativa, Napoleão os demitia de seus exércitos. 

    Mas faz sentido. Um exército só de generais estrategistas não vence batalhas. Alguém tem que estar na linha de frente. Obedientes oficiais (supervisores, encarregados, gerentes) sem estratégia não vencem guerras. Soldados (funcionários) sem comando, sem chefia, sem direção, não ganham batalha. Portanto, não adianta você ser o “Bombril” General de sua empresa. Em alguns aspectos você pode ser o “ignorante com iniciativa” que Napoleão defenestrava. Um ignorante com iniciativa sai fazendo coisas simplesmente por fazer, sem ter base para tal. Lembre-se que existem “faxineiras” disponíveis por aí. Basta você ter coragem e disposição para contratar uma e delegar para ela a parte que você acha chata. Sem dúvida, com essa decisão corajosa, sua empresa ficará mais limpa e fácil de administrar. Principalmente em tempos de guerra, como os atuais.

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