A Filosofia da Oração

  • 09/10/2020 11:45

     

    (uma perspectiva islâmica)

     

    Deus apresenta-se como o Clemente e o Misericordioso no Sagrado Corão. Com Sua clemência, Ele concede Suas bênçãos ao homem sem qualquer esforço da parte dele, sem seu merecimento e sem sua súplica, cumprindo, por Si mesmo, as suas necessidades mais básicas e provendo energia e ferramentas básicas ao homem para ele usar ao seu favor e, com esforço e súplicas, obter a misericórdia de Deus, por meio da qual, Deus retribui o esforço humano e, ouvindo suas súplicas, outorga-lhe Sua mercê e maiores bênçãos de Sua parte.

    É muito importante lembrar que a oração não substitui o esforço. Deus não gosta de preguiça e nem deseja tornar o homem relaxado. Deve-se, sempre, esforçar-se ao máximo e fazer todo o possível à nossa alçada e, concomitantemente, orar ao Misericordioso, Que, vendo nossos esforços e comovendo-se com nossas súplicas, permitirá que os melhores resultados sejam obtidos. A oração sem esforço é inútil, exceto quando o homem não tem outra saída e não haja esforço que ele possa fazer nesse sentido. Nessas situações, a misericórdia de Deus, perante às sinceras e honestas orações de um humilde servo, atinge o seu ápice e se apressa em confortar o homem e corre para satisfazer as suas necessidades.

    É importante entender a filosofia e o poder da oração para usá-las ao nosso favor da melhor forma em todos os momentos. O Todo-Poderoso pode contornar qualquer situação e aceitar as orações mesmo que, frente aos limitados olhos humanos, possam parecer de realização impossível. Portanto, nunca se deve perder as esperanças. Por mais impossível que a resolução de uma situação possa parecer, Deus pode aproveitar alguma probabilidade residual de possibilidade, que a mente humana pode até desconhecer, para moldar as condições adequadas para o aceite da oração e, assim, tornar o aparente impossível em uma brilhante realização.

    Algumas das éticas importantes da oração são a constância, a paciência, a pertinência e a fé firme. Assim como não se deve deixar de beber por não ter saciado a sede com uma gota de água, também não convém deixar de orar por uma oração não ter saciado a nossa necessidade. Por vezes, a oração tem o seu momento certo e revela seus fantásticos efeitos após um acúmulo de sinceras súplicas. Além disso, deve-se lembrar que Deus é o Patrono e o homem é o Seu servo, e não o contrário. Cabe a nós, seres humanos, orar com sinceridade, constância e amor e cabe a Deus ouvi-las e aceitá-las quando Lhe convier. Quanto maior a nossa relação de amor com Ele, maior a probabilidade de Ele nos atender.

    Além disso, também devemos lembrar que, em função de nosso conhecimento limitado, às vezes, suplicamos por algo que, na verdade, nos é prejudicial. Então, Deus, exatamente por Seu amor conosco, não atende a nossa súplica, assim como um pai não daria um papel com fogo a seu filho pequeno a seu pedido por ele ter se maravilhado com o seu aparente brilho e por desconhecer os perigos da sua ardente chama. Nessas situações, contudo, Deus, o Generoso, concede-nos outra de suas bênçãos em troca ou aumenta a recompensa de nossas boas ações.

    Além disso, orações que vão contra os princípios Divinos, como louvor, clemência e misericórdia, também não são passíveis de aceitação. Portanto, devemos orar tendo os atributos Divinos em mente e praticando boas obras. Orar para os outros, e não apenas para si mesmo, demonstrando a nossa compaixão pelas outras criaturas de Deus, também atrai maior atração do Criador. Da mesma forma, a prática de boas obras, a ajuda aos pobres e aos necessitados e a manutenção de bons valores morais, também facilita a aceitação das orações.

    A oração, em si, também é uma excelente forma de manter a mente equilibrada, desestressada e balanceada, evitando depressão e outros distúrbios cada vez mais presentes na sociedade de hoje. Afinal, orar é ter fé, esperança, convicção, é agradecer pela dádiva da vida, pelos belos momentos de cada dia, pelos sorrisos, é reconhecer a própria fraqueza e, humildemente, pedir por ajuda, é se arrepender, é cair e saber levantar, saber corrigir, sendo um sinal de fé, positividade, gratidão e amor. A pessoa que ora com sinceridade, portanto, tem a oportunidade de exercitar todas essas belas qualidades e de embelezar a sua personalidade com elas. Nos dias atuais, em que muitos tem dúvidas acerca da própria existência de Deus, a oração também é uma excelente forma de provar a Sua realidade, clamando e sendo ouvido, vendo o aparente impossível tornar-se realidade.

    Que nossa fé se mantenha sempre firme, não sendo cega, mas sendo completa, e que, com a nossa verdadeira adoração de Deus, possamos aproveitar ao máximo os benefícios das orações. Que Deus nos abençoe a todos. Amém.

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