A cultura e suas mutações

  • 10/05/2016 10:40

    Poetas, escritores, compositores, cantores e músicos estão submergidos nesse oceano de esquecimento, onde sucumbem, desprezados pela mídia e pelos “ditos” intelectuais e inovadores que não conhecem e nem querem conhecer os alicerces básicos de nossa cultura em cada segmento. Por isto estou me propondo em apresentar uma série de crônicas, na medida do possível, para “resgatar a memória” de nossos poetas desprezados e esquecidos.

    Mas em qualquer época do tempo passado sempre foi assim, como na atual – senão, vejamos alguns pensamentos pinçados alhures, sem maiores pesquisas e, por acaso, em épocas distantes e diferenciadas:

    Da atual cantora da música popular brasileira, que não conheço, Mônica Salmaso, contrariando declarações do sapiente Caetano Veloso: – “A música popular brasileira está, hoje, pobre e nivelada por baixo. Pobre de assunto, letra, melodia, harmonia e de arranjo. É o que a indústria produz, em crise, tentando sobreviver ao naufrágio”. 

    Do poeta inglês, John Keats, 1795-1821, um dos ícones de sua geração junto com Lord Byron e Shelley :- “A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso e não porque é diferente. A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos. Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol: algo milagroso e natural ao mesmo tempo.” 

    De Salomão Jorge – “Mas se tais livros de poesia não foram escritos para o povo, a quem se destinam? Para meia dúzia de asseclas, de iniciados das panelinhas? Mas esses, com o instinto da legítima defesa nem sequer os compram, limitam-se a recebê-los e, como é de praxe, numa espécie de reação circular, a elogiá-los, enfrentando impassível a irremovível indiferença do público ledor”. 

    Do prêmio Nobel de Medicina de 1912, Alexis Carrel (1873-1944), “A inteligência é quase inútil para aqueles que só possuem ela. O intelectual puro é um ser incompleto, infeliz, pois é incapaz de atingir aquilo que compreende. A capacidade de apreender as relações das coisas só é fecunda quando associada a outras atividades, como o sentido moral, o sentido afetivo, a vontade, o raciocínio, a imaginação e uma certa força orgânica. Não é necessária uma grande cultura da inteligência para fecundar o sentido estético e o sentido místico e produzir artistas, poetas, religiosos, todos aqueles que contemplam desinteressadamente os diversos aspectos da beleza”.

    Da poetisa atual, Regina Coeli Rocha: “Gosto de me "escravizar a essas formas, porque elas são roupas que vestem o verso com as cores do bom acabamento e do bom arremate. É isso que tento fazer, porque acho que o trabalho tem que ter arte. O que o moderno, não pode é querer negar a importância do clássico. E o clássico deve simplesmente continuar existindo, sem trocar farpas com quem quer que seja… Penso que haja lugar para todos… E o leitor faz a sua escolha de acordo com o que pensa sobre "poesia".

    E não é de hoje que tudo se deteriora, alcançando até a música clássica em sua fase mais popular – a ópera –  distorcida por inovadores que se propõem a mudar sua estrutura, tiram todo seu valor original, quando classificam tais atitudes de “criatividade”. Portanto, por que somente a poesia estaria progredindo, em ascensão, para se desprezar, sistematicamente, todos os valores passados e o estilo de cada um, classificando-os como superados?

    Por isto o meu desejo.

    jrobertogullino@gmail.com

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