A colonização germânica em Petrópolis: o legado deixado pelo exemplo, a origem dos bairros e a Exposição Coragem e Fé

  • Por Aghata Paredes

    Você conhece a história da colonização germânica em Petrópolis? Quando se fala na herança que os colonos alemães deixaram à cidade, logo se pensa na gastronomia e, consequentemente, na festa que a representa: a Bauernfest. No entanto, o legado deixado por eles pode ser experienciado de inúmeras outras formas. 

    Na implantação e desenvolvimento de Petrópolis, eles eram exemplos de determinação. Nas obras que realizaram, deixaram sua marca cuidadosa – respeitando as condições naturais do local. Além disso, aliaram esse cuidado à perfeição na execução de tarefas minuciosas, desde o rendilhado em madeira nas varandas de charmosos chalés até o modelo europeu do calçamento em paralelepípedos das ruas. Sem falar na qualidade e capricho com que desempenhavam suas funções, como tecelões, operários e proprietários de indústrias.

    Segundo registros históricos, em fevereiro e março de 1838, Koeler contratou imigrantes germânicos vindos do navio Justine para trabalhar na manutenção e conservação da Estrada da Estrela (Calçada de Pedras). Ao final da obra, algumas famílias se fixaram na região do Itamarati. Além de Koeler e sua família, mudaram-se para a serra seus auxiliares. A maioria também de origem germânica, como o arquiteto Theodoro Marx, que projetou a Casa dos Semanários, hoje Palácio Grão-Pará, João Meyer, Cristóvão Schaeffer, Teodoro Grote e outros.

    Em um outro navio, denominado Virginie, aportado no Rio de Janeiro, em 13 de junho de 1845, chegaram 161 pessoas a Petrópolis. Na mesma época existiam na região vários reinos como o da Prússia, da Baviera, de Würtenberg e outros. A maioria dos colonos era da região de Hunsrück, na Renânia-Palatinato, onde existia uma integração de culturas. 

    Você sabia?

    A origem de alguns bairros de Petrópolis

    Koeler promoveu o assentamento dos colonos nos prazos de terras agrupados em Quarteirões e os nomeou de acordo com a sua origem: Bingen, Castelânea (Kastellaun), Ingelheim, Mosela (Mosel), Nassau, Palatinato Superior, Palatinato Inferior, Renânia Central, Renânia Inferior, Siméria (Simmern) e Westfália. Planejou também duas vilas (Imperial e Theresa).¹

    Falando nos aspectos relevantes para a formação de Petrópolis, você já visitou a exposição que retrata os hábitos e costumes dos colonos alemães de forma artística e brilhante, na Casa da Princesa Isabel?

    A Exposição Coragem e Fé

    A proposta da exposição, que ficará disponível até o dia 27 de fevereiro, é conduzir os seus visitantes pelo imaginário cultural dos colonos alemães, que começaram a chegar na região a partir do século XIX. No local você pode encontrar incríveis esculturas confeccionadas em papel e modeladas em tamanho natural, em miniaturas e em grandes proporções, além de fotografias e referências históricas sobre a colonização germânica na cidade.

    A equipe é formada por quatro artistas, petropolitanos, de uma mesma família, que juntos constituem a Di Paola Criações Artísticas: Lorena, Valéria, Sergio e Henriqueta Bortolotti.

    Foto: Divulgação – Di Paola Criações Artísticas

    A ideia de realizar o trabalho, segundo Lorena Bortolotti, artista plástica e escultora, surgiu a partir de uma experiência, há pouco mais de 20 anos, quando a equipe de artistas teve o primeiro contato com a técnica do papel machê, construindo bonecos em tamanho natural para a ornamentação de lojas e eventos. “Com o passar dos anos, foi crescendo nossa percepção do potencial artístico desse material, em conjunto com o desenvolvimento de outras técnicas de escultura, para contar histórias. Paralelamente, um grande interesse familiar pela História de Petrópolis – somos uma família de descendentes de imigrantes italianos que chegaram à cidade no início do século XX – nos conduziu a fotografias e outros documentos que remontam à época da colonização alemã, muitos ainda desconhecidos do grande público. Criando pontes entre arte e pesquisa, histórias e História, chegamos à ideia da presente exposição.”

    Foto: Divulgação

    Segundo ela, primeiramente foi realizada uma pesquisa minuciosa sobre a história de Petrópolis. Num segundo momento, os artistas começaram a definir o conceito visual e a apresentação das informações e do conteúdo pesquisado. Paralelamente a isso, foi se estabelecendo a formalização da exposição e a gestão do projeto. Foi quando eles passaram a trabalhar na criação e execução das peças e no aprimoramento das várias técnicas que seriam utilizadas. Ao todo foram necessários, aproximadamente, 10 anos entre pesquisa, elaboração e execução das peças, sendo que foram utilizados somente recursos financeiros próprios.

    O nome da exposição, “Coragem e Fé”, que soa poético e convidativo, resume bem a atitude dos imigrantes germânicos diante de todos os desafios enfrentados desde que saíram da sua terra natal até se estabelecerem nesta região. Segundo a artista: “Através destas duas palavras fortes tentamos sensibilizar o público, criando uma expectativa para conhecerem a história da colonização germânica em Petrópolis.”

    Foto: Divulgação

    Perguntamos à artista como a técnica é vista aqui no Brasil. “As técnicas empregadas em nossos trabalhos são muito difundidas e utilizadas por outros artistas aqui no país. O que podemos afirmar, a partir da nossa experiência, é que, embora o papel seja um material barato e de fácil acesso, conseguimos dar a ele um tratamento refinado que encanta e surpreende o público.”

    Foto: Divulgação

    Durante esse curto espaço de tempo, em que a exposição está aberta, Lorena comenta que o espaço já recebeu mais de dez mil visitantes. “A repercussão foi excelente. Foram muitas as mensagens recebidas e também convites para expor em outras cidades do Brasil. Destacamos que o feedback mais marcante que recebemos foi dos próprios integrantes da família Imperial, que, após o período de dez dias determinado para a apresentação da exposição, nos convidaram a permanecer por mais três meses.”

    Ainda não teve a oportunidade de visitar a exposição? Aproveite a experiência ímpar de conhecer melhor a história de Petrópolis, apresentada através da arte, num local de grande relevância histórica.

    A exposição ficará aberta ao público até o dia 27 de fevereiro de 2022, de quinta a domingo, das 10h às 18h, fechando das 13h às 14h15 para almoço. Ingresso R$10,00.
    Mais informações: @coragem.e.fe

    Foto: Divulgação

    ¹ Instituto Histórico de Petrópolis.

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