• Inscrições abertas para curso de Libras em Petrópolis

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  • 08/01/2019 10:48

    O Instituto Alliance abriu inscrições para o curso de Língua Brasileira de Sinais (Libras) com início previsto para 1º e 2º de fevereiro, além de um curso de aprimoramento para quem domina a língua. A diretora do Instituto, Vania Cristina do Nascimento, disse que houve um maior interesse pela Libras depois do discurso da primeira-dama do país, Michelle Bolsonaro, na posse do presidente Jair Bolsonaro.

    Para Vânia Cristina foi muito importante o posicionamento da primeira-dama ao fazer um discurso em Libras, frisando que “a atitude dela deu voz a quem não era ouvido. Ela mesmo afirmou isto em seu discurso”. A diretora do Instituto Alliance disse que os intérpretes de Libras que atuam em igrejas são discriminados. “A primeira-dama conhece essa realidade e, por isso, o posicionamento dela foi importante. Mas é importante destacar que atuamos em todos os setores da sociedade como profissionais da língua em Libras. Nas igrejas, na maioria dos casos somos voluntários, fazemos por amor em anunciar o evangelho de Jesus Cristo”. 

    O Decreto Federal 5626/2005, publicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirma que a Libras é a segunda língua nacional a ser apreendida nos cursos de formação de professores e para ser ensinada nas escolas nas séries finais do ensino fundamental e médio, assim como nos cursos superiores. Vania Cristina lembra que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com a Lei 10.436/2002, reconheceu como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e outros recursos de expressão a ela associados. 

    A mesma lei afirma que o sistema educacional federal, estadual, municipal e do Distrito Federal devem garantir a inclusão, nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Já a Lei Federal 12.319/2010, sancionada pelo ex-presidente Lula, regulamentou a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras. 

    Essa lei determina que a formação de tradutor e intérprete de Libras pode ser realizada por organizações da sociedade civil representativas da comunidade surda. A formação profissional do tradutor e intérprete de Libras e da Língua Portuguesa, de acordo com a lei, deve ser realizada por meio de cursos de educação profissional reconhecidos pelo Sistema que os credenciou; cursos de extensão universitária; e cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior e instituições credenciadas por secretarias de Educação.


    Duas décadas de amor aos surdos

    Em 2019, Vania Cristina do Nascimento, 43 anos, completa 20 anos de trabalho com os deficientes auditivos e por isso, em Petrópolis, o seu trabalho é reconhecido tanto na sociedade civil, quanto na esfera governamental e no meio religioso. Ela afirma que foi uma paixão desde criança, quando viu algumas pessoas conversando em Libras e mesmo sem saber o que era, achava maravilhoso. 

    Quando tinha de 23 para 24 anos, foi à Igreja Metodista Wesleyana, na Rua Casimiro de Abreu, viu dois bancos com surdos e ficou encantada com a forma como faziam o louvor a Deus. “Fiquei sabendo que teria um curso de Libras. Perdi o dia da inscrição e entrei quando o curso já estava ocorrendo há cerca de dois meses. A partir daí não parei mais”, contou. 

    Mesmo fazendo o curso, Vânia Cristina enfrentou o primeiro desafio, pois como não pertencia à Igreja Metodista, não podia atuar como um dos intérpretes. Ela conta que procurou o pastor para saber como teria que fazer e a única maneira seria pertencer à igreja e, para sua surpresa, pediram que entregasse os documentos em uma sexta-feira, e no domingo ser apresentada como um dos membros. “Fiquei feliz com a notícia, mas triste, pois no horário que pude ir ao culto, sabia que os amigos do curso não estariam presentes e nem os deficientes auditivos da igreja. Mas Deus tem seus caminhos e para, minha surpresa, todos estavam lá e foi uma grande festa”, contou. 

    A partir desse dia, Vania Cristina começou a atuar como intérprete de Libras na igreja e mais tarde fundou um Instituto onde começou a trabalhar com todos os surdos da cidade. Ao mesmo tempo, procurava formar pessoas para serem intérpretes de Libras. “Tenho a alegria hoje de saber que contribuí na formação de muitas pessoas”, afirmou e, mesmo com dificuldades financeiras e até de saúde, não deixa de trabalhar e dar voz a quem não tem. “Procuramos fazer com que os surdos possam ser ouvidos por todos, por isso, é importante que tenha um intérprete em todas as repartições públicas, nas escolas e em todos os ambientes públicos”, afirmou. 


    De Angola para Petrópolis

    O angolano Gaudêncio Numa, 35 anos, está em Petrópolis desde 2014, primeiro como frade franciscano e, a partir de agosto de 2016, como cidadão. Mas seu amor pelo trabalho com os deficientes auditivos começou ainda quando era frade e, desde então, nunca mais parou, tornando-se voluntário do Instituto Alliance. Ele conta que em seu país as pessoas não têm liberdade e a situação fica muito pior para quem tem alguma deficiência. 

    Gaudêncio Numa disse que o Instituto Alliance, com apoio da Embaixada de Angola e, em parceria com o Projeto Luz às Nações, vão procurar ensinar Libras para os angolanos. “Nosso objetivo é ensinar a língua de sinais para que possam ser aceitos e ter uma vida melhor”, afirmou Gaudêncio, que está entusiasmado com a possibilidade de ajudar as pessoas deficientes de seu país com a experiência que está tendo no Brasil.

    Com o projeto Luz das Nações, voluntários do Instituto Alliance vão a Angola levando a experiência do trabalho em diversas áreas e, como treinamento, vão participar em breve de uma ação social na Favela da Maré, numa comunidade angolana com apoio da Embaixada de Angola. “Será uma experiência positiva e importante para que os voluntários brasileiros possam fazer um treinamento”, afirmou Gaudêncio Numa.


    Serviço

    Inscrição no curso de Libras | Instituo Alliance

    Rua João Caetano, 154, casa 3, Caxambu

    Horário: de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 14h às 21h e, no sábado, das 9h às 13h. 

    Telefone: (24) 2237-7481 / 98827-2319

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