• Família que manteve mulher escravizada por 38 anos, usava pensão dela para pagar curso de medicina da filha em Petrópolis

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  • 04/01/2021 16:47

    A família Milagres Rigueira que manteve por 38 anos escravizada Madalena Gordiano, de 46 anos, usou a pensão de R$ 8 mil que ela recebia para pagar o curso da filha na Faculdade de Medicina de Petrópolis. A informação foi passada por auditores do Ministério Público do Trabalho (MPT) ao portal de notícias UOL. A matéria foi divulgada essa semana.

    De acordo com as informações do portal de notícias, a família Milagres Rigueira usou a pensão por 17 anos. Além do pagamento do curso de medicina, o dinheiro também custeava a vida da família. O portal informou que Madalena tem uma renda de R$ 8,4 mil oriunda de um casamento com um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial, mas jamais teve controle do dinheiro, que era administrado por Maria das Graças Milagres Rigueira e o filho, Dalton César Milagres Rigueira.

    A filha se formou em 2007 e de acordo com as informações publicadas pelo UOL, Maria das Graças Milagres Rigueira teria organizado o casamento de Madalena para que o dinheiro da pensão pudesse pagar a faculdade da filha. O ex-marido de Madalena era tio da esposa de Dalton e estava com a saúde debilitada na época do matrimônio.

    O portal de notícias informou ainda que de acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a renda da família, sem a pensão de Madalena, é incompatível com os gastos e imóveis pertencentes a eles. A família tem um imóvel de quatro quartos financiado na área mais nobre da cidade de Patos de Minas (MG) com parcelas de R$ 1,7 mil, e paga faculdade para duas filhas, uma delas também estudante de medicina em Uberaba, com mensalidade de R$ 6,8 mil.

    Maria vivia em regime análogo a escravidão desde os oito anos de idade no apartamento da família localizado no centro de Patos de Minas. Ela não recebia salário, não tinha direitos, e vivia reclusa, sob a vigilância dos patrões até o fim de novembro de 2020, quando foi libertada por auditores fiscais do trabalho e pela Polícia Federal (PF).

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