• As tentações de Jesus!

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  • 01/03/2020 12:12

    Na Quarta-feira passada, com o jejum e com o rito das Cinzas, entramos na Quarema. Mas o que significa “entrar na Quaresma”? Significa começar um tempo de compromisso particular no combate espiritual que nos opõe ao mal presente no mundo, em cada um de nós e à nossa volta. Significa enfrentar o mal e dispor-se a lutar contra os seus efeitos, sobretudo contra as suas causas, até à causa última, que é Satanás. Significa não descarregar o problema do mal sobre os outros, sobre a sociedade ou sobre Deus, mas reconhecer as próprias responsabilidades e ocupar-se delas conscientemente. A este propósito ressoa muito urgente, para nós cristãos, o convite de Jesus a assumir cada um a sua “cruz” e a segui-Lo com humildade e confiança ( Mt 16, 24 ). A “cruz”, por mais pesada que seja, não é sinônimo de infelicidade, de desgraça a ser evitada o mais possível, mas oportunidade para se pôr no seguimento de Jesus e assim adquirir força na luta contra o pecado e o mal. Portanto, entrar na Quaresma significa renovar a decisão pessoal e comunitária de enfrentar o mal junto com Cristo. O caminho da Cruz é, de fato, o único que leva à vitória do amor sobre o ódio, da partilha sobre o egoísmo, da paz sobre a violência. Vista assim, a Quaresma é verdadeiramente uma ocasião de grande empenho ascético e espiritual fundado na Graça de Cristo. Em síntese, trata-se de seguir Jesus que se dirige decididamente rumo à Cruz, auge da sua missão de salvação. 

    O primeiro Domingo da Quaresma nos apresenta, todos os anos, o mistério do jejum de Jesus no deserto, seguido das tentações ( Mt 4, 1-11). 

    Quaresma é para nós um tempo forte de con versão e renovação em preparação à Páscoa. É tempo de rasgar o coração e voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre. É um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida cristã. E nós somos convidados pelo Espírito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas TENTAÇÕES, que frequentemente tentam nos afastar dos planos de Deus. 

    A Quaresma comemora os quarenta dias que Jesus passou no deserto, como preparação para esses anos de pregação que culminam na CRUZ e na glória da Páscoa. Quarenta dias de oração e de penitência que, ao findarem, desembocam na cena que Mateus narra no cap. 4, 1-11. É uma cena cheia de mistério, que o homem em vão pretende entender – Deus que se submete à tentação, que deixa agir o Maligno –, mas que pode ser meditada se pedirmos ao Senhor que nos faça compreender a lição que encerra. 

    É a primeira vez que o demônio intervém na vida de Jesus, e faz isto abertamente. Põe à prova Nosso Senhor; talvez queira averiguar se chegou a hora do Messias. Jesus deixa-o agir para nos dar exemplo de humildade e para nos ensinar – diz São João Crisóstomo –, quis também ser conduzido ao deserto e ali travar combate com o demônio a fim de que os batizados, se depois do batismo sofrem maiores tentações, não se assustem com isso, como se fosse algo de inesperado. Se não contássemos com as tentações que temos de sofrer, abriríamos a porta a um grande inimigo: o desalento e a tristeza.

     

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