• Mulher fica ferida em ação para coibir o tráfico

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  • 24/10/2016 18:00

    Policiais militares dispararam três tiros para o chão no intuito de conter uma confusão no bairro São Sebastião. A ação ocorreu na última sexta-feira, por volta das 23h30. De acordo com a ocorrência, cerca de 40 pessoas tentaram impedir os policiais de colocar um jovem dentro da viatura da polícia. A mãe dele, de 46 anos, ficou ferida na perna por conta dos estilhaços provocadas pelas balas. A PM está investigando o caso.

    Segundo a ocorrência da PM, os policiais receberam a informação de que homens traficavam drogas na Rua Vital Brasil. No local, após observarem um movimento incomum, os policiais abordaram cinco pessoas. Com um jovem de 20 anos foram apreendidas duas cápsulas de cocaína com a descrição “PU CV”. Com um homem de 49 anos os policiais encontraram R$ 237,00 em espécie. No local os policiais encontraram mais seis cápsulas de cocaína, escondidas.

    Ainda segundo a ocorrência, um dos jovens fugiu após perceber a presença da viatura da polícia no local. O documento traz a informação que ele teria se escondido em casa, onde os policiais o localizaram. Os policiais afirmaram ainda que o jovem teve que ser contido após resistir à prisão. Foi nesse momento, segundo os policiais, que parentes e vizinhos tentaram libertá-lo, impedindo que ele fosse colocado na viatura. Aproximadamente 40 pessoas teriam participado da confusão. De acordo com a ocorrência, os populares tentaram desarmar os policiais e para impedir a ação, os PMs fizeram três disparos em direção ao chão. 

    Os policiais socorreram a mãe do jovem. Ela ficou com um ferimento na perna provocado por estilhaços de pedra, provocado por um dos disparos. Ela foi levada pelos policiais para a Unidade de Pronto Atendimento (Upa).

    Ainda de acordo com o documento, os policiais fizeram buscas em uma escada, onde encontraram mais seis cápsulas de cocaína, além de R$ 40 em espécie, escondidos entre tijolos.

    Todos os envolvidos foram conduzidos à 105ªDP, onde o jovem de 22 e o de 20 anos foram autuados e presos nos artigos 33 e 35 da Lei 11.343/06, e 244 B do Código Penal. Um menor de 17 anos foi apreendido no fato análogo ao artigo 33 da Lei 11.343/06; Um homem de 23 e outro de 49 anos foram indiciados no artigo 28 da Lei 11343/06 e foram liberados após serem ouvidos a termo. Após a perícia, foram constatadas 0,40 gramas de cocaína.

    Família contesta versão dada pelos policiais

    A família de um dos jovens envolvidos na ocorrência procurou a Tribuna de Petrópolis e contestou a versão do registro de ocorrência. A mãe do jovem é a pessoa que ficou ferida durante a ação. Segundo ela, após a realização de um raio-X, os médicos constataram que parte de um projétil está alojado na sua perna. O filho dela foi autuado por tráfico de drogas, no entanto, a família afirma que o jovem não foi encontrado com drogas. “Invadiram a casa dele. Entraram chutando a porta. Ele não estava na rua. Ele começou a gritar pedindo ajuda e foi nessa hora que os vizinhos saíram e começaram a gritar, perguntando por que ele estava sendo preso. O policial disse que ele estava sendo preso porque estava alterado. Descobri depois, na delegacia, que ele tinha sido preso por tráfico. Meu filho já cumpriu pena no ano passado, mas agora estava bem, trabalhando honestamente”, contou. 

    Ela passou por exame de corpo de delito e afirma que vai fazer uma reclamação na ouvidoria da PM. “Vamos contratar um advogado para resolver essa situação. Meu filho não estava com as drogas. Agora, além de estar preocupada com o meu filho preso, não posso trabalhar enquanto não melhorar e tenho outro filho para criar, como vou fazer?”.

    A esposa do jovem que foi preso afirmou que ficou apavorada. “Minhas filhas presenciaram tudo. Estamos muito assustadas. Foi uma ação brutal. Até agora não consigo entender”, contou.

    A tia do jovem também ficou ferida com os estilhaços. “Outras pessoas se machucaram. Nunca tinha presenciado nada como isso. Os vizinhos são testemunhas. Meu sobrinho trabalha na confecção comigo. Somos humildes, mas vamos correr atrás, queremos justiça”.

    Apuração da Polícia

    De acordo com o comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar, Eduardo Vaz Castelano, um procedimento apuratório foi instaurado. “Estamos apurando todas as denúncias. Os familiares devem se dirigir até a delegacia para relatar todas as informações para a autoridade policial. A Polícia Militar instaurou um procedimento e está apurando todas as informações, inclusive a conduta dos policiais”, contou.

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