• Vida nova para quem venceu o câncer de mama

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  • 22/10/2017 09:00

    O câncer de mama é o tipo  mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), ele representa 25% do total de novos casos que surgem a cada ano. Em Petrópolis, o Centro de Terapia Oncológica (CTO),atendeu só no ano passado a unidade atendeu 561 pacientes. Neste ano, até o momento, 464 mulheres estão sendo acompanhadas.  

    Muitas das vezes a doença é diagnosticada já em estágio avançado, o que em alguns casos, leva à necessidade de mastectomia, procedimento cirúrgico no qual parte da mama, ou a mama inteira, é retirada para combater o tumor. Após o tratamento da doença finalizado, as mulheres que passaram pela mastectomia se deparam com uma nova imagem em seu corpo. Algumas sofrem por causa da autoestima, o que pode interferir em sua vida.  

    Devolver a autoconfiança para as mulheres que venceram a doença é o intuito da esteticista, Ana Carolina Rosa, de 26 anos, que é formada em micropigmentação de aréolas com a profissional da Alemanha, Vicky Martins.  " Em Petrópolis, ainda não tinha visto profissionais que fizessem o trabalho. Após o curso, quis realizar o trabalho voluntariamente. Tenho dois casos de câncer de mama na minha família e sei o quanto é difícil para as mulheres passarem pelo o tratamento e, depois, se olharem no espelho e não ver o corpo de antes. Muitas mulheres conseguem a colocação das próteses,mas, ainda assim, a parte da estética fica inacabada", diz Carolina. 

    A micropigmentação nas aréolas é o procedimento parecido com o da tatuagem, mas a tinta só é aplicada na camada mais superficial da pele. "A aréola é uma parte bem sensível, então  uma pomada anestésica e usada. É tudo bem tranquilo, mas oriento as pacientes que passaram pela radioterapia a aguardar um ano, porque a pele fica sensível, bem agredida e,assim, há maior risco de infecção. Já para quem fez somente a quimioterapia, a micropigmentação pode ser feita já depois de seis meses. O ideal é também, passar pela avaliação de um médico", orienta a esteticista.

    De acordo com Ana Carolina,  o desenho da aréola fica perfeito. " O procedimento é rápido, dura cerca de uma hora. O preparo da tinta é feito de acordo com o tom da pele da paciente. A pigmentação é bem fraca, para não haver saturação da cor. É recomendável que a paciente faça duas seções – a segunda 40 dias após a primeira", explica. A cicatrização, segundo a esteticista, depende de como o organismo vai reagir. "Pedimos às pacientes para protegerem a área como um curativo simples para haver contato com a roupa e também passarem uma pomada cicatrizante. Geralmente o resultado dura até quatro anos, já que aréola não fica exposta ao sol e não há renovação de pele naquela região, explica.  

    Para Ana Carolina devolver a autoestima para mulheres que enfrentaram o câncer é o melhor reconhecimento da profissão. " Nada paga esse trabalho. Eu fico sem reação com a satisfação das pacientes. Elas passaram por momentos tão difíceis, muitas enfrentaram até mesmo preconceito,  e, depois do procedimento, é bom demais ver a alegria delas. Não  tem dinheiro que pague",  completa a micropigmentadora.   




    História de superação

    Glória Carvalho, de 69 anos (nome fictício, para preservar a identidade da paciente), descobriu a doença em 2010. Um ano depois de passar por cirurgia para a retirada da mama direita,  descobriu um nódulo no seio esquerdo, em exames de rotina. “Eu faço mamografia todo ano. Não me deixei abater com a doença. Quando descobri o segundo tumor, apesar de ser benigno, não pensei duas vezes. Optei pela retirada da mama. Foi o melhor para mim naquele momento," relatou.

    Após passar pelo tratamento e ter o resultado positivo,  em 2013, Glória colocou as próteses de silicone nos dois seios. Desde então, ela vinha procurando um profissional que fizesse a reconstrução da aréola. "Em outra cidade até consegui, mas o custo era alto e ainda tinha outros gastos. Um dia fui com uma amiga ia fazer as sobrancelhas com a Ana Carolina e conheci  o trabalho dela. Fiquei encantada. Ela foi uma grande incentivadora para que eu fizesse a reconstrução. Depois de tantos anos, tinha encontrado quem fizesse o procedimento na cidade. Foi tudo bem tranquilo, não senti nada.  Hoje me sinto completa. Procurava não pensar no assunto, mas quando me olhava no espelho me sentia incompleta, de fato, alguma coisa faltava", diz a paciente.

    Glória considera que fazer exames preventivos é essencial. " Faço o exame todos os anos e  digo para as mulheres não deixarem de fazer porque é muito importante. Câncer de mama não é a morte. É o início de uma vida. Estou completamente curada e hoje estou bem tanto de saúde quanto esteticamente", finaliza Glória.





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