Um político me contou…

Por: José Afonso B. de Guedes Vaz - Advogado e membro da APL

Quinta Feira, 14 de Dezembro de 2017


Texto: A - A A +
Compartilhar:

O parlamentar desempenha mandato perante a Câmara dos Deputados; todavia, não representa o povo fluminense mas, vez por outra me deparo com o mesmo em Petrópolis, uma vez que é apreciador desta nossa querida cidade.

No último fim de semana não foi diferente eis que me deslocava para uma confraternização natalina quando, de repente, encontro com o combativo e sorridente deputado.

Falou-me, como já do meu conhecimento, que visita Petrópolis sempre que possível, eis que aqui deixou parentes e amigos, terra onde estudou em passado longínquo.

Conversamos quase que debaixo de chuva uma vez que “São Pedro” não deu trégua no aguaceiro que se abateu sobre a cidade ao anoitecer.

Eu, de minha parte, tentando, com lhaneza, lhe dizer que estava saindo para cumprir um evento do qual não poderia deixar de comparecer e com horário marcado; entretanto, o amigo não deixava Brasília de lado, especialmente a Câmara dos Deputados.

Narrou-me, com detalhes, a propósito do que vem acontecendo, inclusive as dificuldades do Executivo em ver concretizada a reforma da Previdência na Câmara Federal.

Outros temas ainda foram debatidos, contudo, sem que eu menos esperasse, contou-me que quando de suas visitas à Petrópolis isso ocorre na companhia de um taxista que lhe serve no Rio de Janeiro, figura, aliás, de “bom papo”.

Já mais casmurro, deu-me a conhecer sobre as manobras políticas que vêm se desenrolando na Capital Federal, justamente com relação ao Executivo a correr contra o tempo em busca de apoio de colegas parlamentares, “à cata” de votos.

Relatou-me, outrossim, sobre os jantares e cafés da manhã que ocorrem objetivando alcançar tal finalidade, regados à fina petiscaria, assunto este também comentado pelo motorista em causa durante a subida da serra.

Eu, sem muito entender, especialmente quanto a certas colocações do deputado, este acabou por relatar-me que durante a viagem, o motorista, seu “velho conhecido”, com toda intimidade possível, não sabendo se em tom de galhofa ou não, saiu-se com a seguinte colocação: “deputado não dava pro senhor arranjar pro meu filho, que reside em Brasília, pra ser “convidado” a comparecer num desses encontros, na condição de garçom e quem sabe pode ser que reste alguma refeição que possa lhe matar a fome, uma vez que como é notório, a comidaria é de primeira qualidade”?

O deputado, entretanto, encabulado, já se despedindo, ainda se manifestou: teria sido verídica a pretensão de que o filho estaria realmente em busca de uma “boquinha”, já que o sopão servido à porta da residência de uma dessas autoridades não lhe descera “goela abaixo”?

Despedimo-nos e a resposta “ficou no ar”, parecendo-me que, na verdade, o rapaz acabou mesmo é por “traçar” a sopa quente, já que nem na condição de garçom pôde obter acesso ao fechado recinto.

A ciência dos telômeros

A busca da imortalidade é a maior ambição entre os humanos. Diversas vezes o tema é escolhido para ser a ideia central de...

Hélio, Petrópolis e reminiscências

Foi, exatamente, no bairro Valparaíso que nos encontramos, numa tarde de sábado muito concorrida, após saborearmos um caprichado...

Equívocos revoltantes

Existem atitudes que não só são erradas, mas também revoltantes. Posso de pronto citar duas: a primeira a decisão e...

Cultura num país sem memória

Raros os que se interessam em ler e mais raros os que se interessam no passado, preservando a memória. Preferem a comodidade do “ouvir di...

O militar sem arma

Em razão de nossa passagem por órgãos públicos, por força da profissão abraçada, tivemos oportunidade...

Fralda, chupeta e mamadeira

Nasceu um novo ano. Assim, como uma criança, puro e inocente e, se possível, sem lembranças do passado, tanto boas, quanto m&aacu...