Polícia analisa imagens da briga dos torcedores do Cruzeiro em bar na BR-040

Por: Redação Tribuna

5 dias atrás


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Foto: Divulgação | Tribuna de Petrópolis

A Polícia Civil (PC) está analisando as imagens do sistema de segurança do Bar do Machado, localizado no quilômetro 93 da BR-040, da pista de subida da Serra. O local, ficou destruído na noite do último domingo (3) após um grupo da torcida organizada Máfia Azul do Cruzeiro Futebol Clube iniciar uma briga. As imagens mostram o momento em que um grupo de torcedores do Vasco da Gama, que estavam no restaurante, são encurralados pelos cruzeirenses. Um rapaz aparece sendo agredido e tem a camisa arrancada por um integrante da Máfia Azul.

"Estamos analisando todas as imagens fornecidas pelo proprietário do bar, desde o momento em que os ônibus do Cruzeiro chegam até a hora em que eles deixam o estabelecimento", disse o delegado titular Claudio Batista Teixeira, da 105ª Delegacia de Polícia (DP), no Retiro. De acordo com o delegado, os torcedores serão indiciados por danos causados ao estabelecimento comercial e também serão enquadrados no Estatuto do Torcedor.

O artigo 41B do estatuto prevê pena de um a dois anos de multa, além de ser impedido de comparecer às proximidades do estádio pelo prazo de três meses a três anos, para o torcedor que promover tumulto, praticar ou incitar violência ou invadir local restrito aos competidores em eventos esportivos ou próximo ao local do evento (num raio de cinco mil metros) ou durante o trajeto de ida e volta. 

Até a tarde desta terça-feira (05) nenhum torcedor vascaíno havia comparecido a delegacia para prestar depoimento. Os proprietários do bar foram a 105ª DP na tarde da última segunda-feira. Eles levaram a lista dos itens destruídos pelos cruzeirenses durante a confusão. Além de mesas e cadeiras, copos, prazos, lixeiras, balcão e dispensa onde ficam as bebidas e a porta de aço da entrada do bar foram vandalizados, somando um prejuízo superior a R$ 7 mil. Eles também levaram salgados e doces que estavam no bar.

A confusão teria começado após os torcedores do Cruzeiro, que estavam em 14 ônibus, descerem próximo ao restaurante onde estavam cerca de 30 torcedores do Vasco da Gama. Os dois times jogaram na cidade do Rio de Janeiro no domingo pela última rodada do Campeonato Brasileiro, e a BR-040 é o único acesso para o estado mineiro. 

Dos 14 ônibus que traziam os cruzeirenses, dois pararam no meio da rodovia fechando a via por cerca de 15 minutos. Segundo o proprietário do bar, cerca de 100 homens desceram dos ônibus e seguiram em direção ao restaurante. Ele contou à polícia que por um momento conseguiu fechar a porta de ferro do bar, mas os torcedores conseguiram quebrar a porta e entrar no restaurante. 

Para fugir dos cruzeirenses, os vascaínos se esconderam em casas que ficam próximo ao bar, outros correram para um matagal que fica às margens da rodovia e outro grupo menor se escondeu no depósito e cozinha do restaurante. Mulheres e crianças também estavam no grupo de vascaínos.

"Achei que ia morrer. Corremos para o depósito, pegamos um freezer e colocamos na porta pra impedir que eles entrassem. Ficamos ali encurralados. Virou uma guerra. Tinha famílias no restaurante e quando eles chegaram correu um para cada lado", disse um dos vascaínos. "Eles tentaram pegar um rapaz, puxaram a camisa dele e machucaram a orelha", contou o torcedor, acrescentando que os cruzeirenses também levaram pertences que estavam dentro da van dos vascaínos. "As vans ficaram abertas e quando conseguimos sair vimos que tinham levado roupas e bebidas".

No depoimento, o proprietário do bar contou que chegou acionar a Polícia Militar (PM) e foi informado que um dos ônibus havia sido parado pelos PMs na altura de um posto de gasolina, na altura de Itaipava. O veículo acabou sendo liberado pela polícia. O comandante do 26º BPM, coronel Oderlei Santos Alves de Souza, confirmou que o ônibus foi abordado, mas disse que a coorporação está apurando se o coletivo era um dos que pararam no bar na hora da briga.

Segundo o delegado Claudio Batista Teixeira, há mais denúncias de brigas envolvendo torcedores de futebol em bares e restaurantes na BR-040, inclusive de pessoas armadas. "Foram ocorrências menos violentas do que a registrada no último domingo, mas essas denúncias são preocupantes e mostram que é algo que vem acontecendo com frequência", alertou o delegado. Em fevereiro de 2008, no mesmo local da confusão do último domingo, o torcedor do Botafogo, Diogo Emanuel, morreu após levar um tiro. 

A assessoria de imprensa da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também confirmou que vem recebendo denúncias de confusões e brigas nas rodovias federais que cortam do Rio de Janeiro em dias de jogo. No último domingo, a PRF informou que recebeu diversas ligações inclusive de torcedores que teriam jogado pedras em outros veículos na estrada. A assessoria ressaltou que ocorrências como esta podem ser denunciadas pelo telefone 191.

Os diretores da torcida organizada Máfia Azul não quiserem comentar o assunto. Eles afirmaram que não tomaram conhecimento de nenhuma confusão envolvendo ônibus da torcida.