Mercado de Trabalho 2018

Por: Luiz Fernando Bastos - Professor FGV na área de Processos e Finanças, Estratégia de Empresas e Negociação

Quinta Feira, 08 de Fevereiro de 2018


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Resolvi neste artigo abordar um tema que continua tirando o sono de muitos brasileiros. Sofremos pouco mais de dois anos com a perda de muitos postos de trabalho, e agora, mesmo com as notícias de que a economia volta a ter números positivos, os empregos continuam escassos. 

Em 2012 e 2013, antes do mercado “descer a ladeira”, literalmente, estava extremamente difícil contratar um bom empregado sem pagar um excelente salário. Todos nós estávamos muito valorizados. Havia uma forte demanda por mão de obra. A Petrobrás a pleno vapor, Comperj, obras da Copa do Mundo e Olimpíadas, a construção civil aquecida, entre outros tantos pontos positivos que geravam uma insaciável demanda por pessoas. 

Então, veio à crise. Ela levou boa parte de tudo que crescemos neste período, muitas de nossas esperanças, investimentos e, postos de trabalho. Nas palestras que faço no mercado e FGV sempre digo que temos somente duas opções: olhamos para trás e nos debulhamos em lágrimas ou respiramos fundo e vamos para frente. Acredito que não há alternativa que não seja seguir para frente. Construir um novo cenário, com um novo trabalho e novas perspectivas de crescimento. 

O emprego que tínhamos, ou os valores que recebíamos, podem simplesmente não voltar. O mercado estabilizou as faixas de pagamento aos colaboradores num patamar menor, isto porque está tendo mais oferta de mão de obra. Em todo mercado onde há mais oferta do que procura os preços caem. Com o nosso emprego não é diferente. O empresário tem vários currículos sobre a sua mesa e percebe que com um valor menor pode contratar um bom colaborador. Isto é o mercado. Pouco podemos fazer neste caso (guardem esta frase). Outros postos de trabalho sequer voltarão. As empresas mudaram os seus processos, automatizaram linhas de produção, investiram em novas tecnologias, reduziram custos para manterem-se competitivas e agora demandam por menos pessoas. 

Diante deste cenário, a economia seguirá tendo números positivos, mas o emprego crescerá de forma lenta e com bases salariais menores. 

Lembram-se da pequena frase que pedi para guardarem? “Pouco podemos fazer neste caso.” A boa notícia é que podemos fazer que este pouco vire muito, e depende somente de nós. Sempre existirá aquele que, sem estímulo, ficará olhando o emprego perdido, e também haverá o que busque incessantemente novas oportunidades. Devemos abrir os nossos horizontes, estudando, buscando aperfeiçoamento de nossas expertises, investindo em uma nova carreira, ou seja, achando oportunidades nas dificuldades. Analisar o mercado e discutir se é o momento de empreender ou de se realocar. Para ambos, sempre haverá oportunidades. Porém será necessário, como citei, que busquemos renovar conhecimentos e experiências. Voltar a ler, estudar, assistir palestras, retornar para as salas de aula, ter disciplina para adquirir este valioso conhecimento que pode ser o diferencial em nossa nova carreira. 

O destino está em nossas mãos, e nunca acredite que esteja sendo guiado por outra pessoa. O que fazemos hoje refletirá nos nossos resultados amanhã. Logo, acredite que pode fazer mais, sempre mais, e realize os seus sonhos. Quem assim pensa e age, consegue.

Luiz Fernando Bastos

Diretor na Ágil Consultoria e Treinamento

Professor na Fundação Getúlio Vargas


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Esta apresentação reflete a opinião pessoal do autor sobre o tema, podendo não refletir a posição oficial do Jornal Tribuna de Petrópolis.