• A casa que revi

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  • 30/08/2017 10:20

    Nasci nesta privilegiada cidade e fui criado à rua Saldanha Marinho; a casa adquirida por minha mãe, herança a que fez jus e que possibilitou a compra, em razão do falecimento de seu pai, meu avô.

    Ali vivi grande parte da minha vida e somente boas recordações pude guardar.

    Aliás, Petrópolis, àquela época, não era a mesma cidade em que vivemos na atualidade.

    Pelo menos, a criminalidade e a prática de delitos tão comuns nos dias atuais, eram situações raras, excepcionais mesmo.

    Podia-se sair à noite sem que preocupações nos atormentassem; infelizmente, até à luz do dia, nossa cidade se tornou insegura, em face da bandidagem que aqui passou a “transitar”.

    E o petropolitano, acostumado a viver sossegadamente, lamenta tal situação.

    Apenas para ilustrar, contou-me um amigo que, há poucos dias, havia programado com a família, que é numerosa, comemorar os cinquenta anos de casamento dos pais, todavia, a festividade que estava prevista para ser levada a efeito à noite, acabou por ser antecipada para a parte da manhã, missa, seguindo-se de almoço festivo, justamente com os quatro filhos, esposas, netos e bisnetos, além de familiares e amigos. 

    Muitos gostariam que a festividade fosse realizada à noite, porém, foram votos vencidos, por razões óbvias.

    Contudo, da rua Saldanha Marinho não consigo me esquecer, especialmente dos colegas com quem convivi, a grande maioria aficcionados, como eu, por passeios de bicicleta.

    É bem verdade que deixei de passar por aquela rua, por muito muitos anos; não fazia parte do meu trajeto diário.

    Entretanto, em razão de ter retornado à mesma, recentemente, e numa dessas passagens, “estacionei” o meu carro à frente da casa onde residi, em companhia de meus pais, sendo que a saudade acabou por “bater forte”; a “paradinha” foi rápida, uma vez que o trânsito que pouco existia àquela época, ao contrário dos dias atuais, se tornou tumultuado e alguns motoristas sempre apressados e o pior, mal educados. 

    Ao meditar sobre o que ora faço expor, pude concluir, exatamente, em consonância com o poeta, quando escreveu:

    “Entre mim e a casa minha, / que anos depois revi, / a casa ficou novinha, / enquanto eu…envelheci…”.

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